As 4 dimensões da capacidade organizacional e como analisá-las

As 4 dimensões da capacidade organizacional e como analisá-las

Para as organizações a necessidade de lidar com a mudança traz invariavelmente um sentimento de apreensão. E isso é natural, pois nem sempre se sentem equipadas com os recursos necessários para interpretar a crescente complexidade introduzida pela contínua aceleração dos processos sociais. Ainda assim, já o Confúcio dizia, “È melhor acender uma vela que amaldiçoar a escuridão.”


Nesse sentido, embora no âmbito da economia social as organizações tenham investido de forma crescente na implementação de atividades de planeamento estratégico, o caminho a percorrer ainda é longo. Prova disso é a ênfase posta pelos investidores sociais, públicos e privados, na utilização de ferramentas como diagnóstico organizacional. Exemplos mais recentes disso são o programa governamental Portugal Inovação Social e o programa Cidadania Ativa, de apoio a organizações da sociedade civil promovido pela Fundação Gulbenkian. Mas é claro que quer a nível internacional quer em Portugal esta lista poderia continuar com a referência a mais iniciativas.  

Isto em parte porque no desenho de uma intervenção social, pode acontecer que, na tentativa de implementar atividades no curto prazo e apresentar resultados que possam ser usados como alavancas para a libertação de financiamentos, se crie uma tendência a encurtar caminhos. Nem sempre, por exemplo, é feita uma avaliação prévia de um recurso elementar: as capacidades intrínsecas e distintivas da organização implementadora. O diagnóstico organizacional, apesar de ser considerado necessário, é por vezes esquecido. Este é um ponto crucial, porque é sobretudo através do nível de capacidade de uma organização que se consegue identificar os limites da sua ambição, no que toca à criação de impacto social.

A esse propósito, quando internamente analisámos as principais metodologias de diagnóstico organizacional existentes para, a seguir, podermos definir uma metodologia de Diagnóstico 4C, desenhada a partir das especificidades das Iniciativas de Empreendedorismo e Inovação Social  em Portugal, mantivemos uma ideia fundamental: a organização deve ser encarada como um sistema complexo e em evolução, portanto, capaz de aprender. Peter Senge fala de “organizações aprendentes”, nas quais as pessoas têm espaço para desenvolver as suas competências, gerando os resultados que desejam e inovando, sem perder de vista o coletivo. Este conceito faz a ponte entre a complexidade e o envolvimento das pessoas: um não vive sem o outro.

Estas duas ideias - complexidade e envolvimento - permitem compreender porque importa diagnosticar as capacidades de uma organização, para: identificar as necessidades de melhoria; e incrementar a prestação de contas.

Para além de permitir identificar as forças e fraquezas institucionais, o diagnóstico organizacional encoraja a participação dos diferentes stakeholders, ao mesmo tempo que explora fatores informais que afetam o comportamento do sistema organizacional e facilita a monitorização das capacidades ao longo do tempo. É assim uma ferramenta valiosa para a aprendizagem organizacional.

Diagnóstico Organizacional 4C

No caso do Diagnóstico 4C escolhemos analisar, de forma integrada e participativa, 4 diferentes tipologias de capacidades que, em conjunto, contribuem para a capacidade global da organização em criar impacto e promover mudanças: capacidade estratégica e de mobilização; capacidade de implementação; capacidade de relacionamento; capacidade de renovação e adaptação.

Finalmente importa dizer que, para além de ser uma poderosa ferramenta de planeamento estratégico, o diagnóstico organizacional é uma oportunidade para investir na capacitação das organizações. O objetivo é reforçar as suas capacidades organizativas e competências de gestão, visando torná-las mais preparadas para gerar impacto social e captar investimento social.


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