À conversa com: Maria Palha

À conversa com: Maria Palha

Tiveram início na semana passada as Talks 4CHANGE, um ciclo de conversas informais com os membros da Comunidade 4Change e outros convidados, para partilhar projetos e experiências inspiradoras que oferecem olhares diferentes sobre o mundo e a nossa sociedade. A primeira convidada foi a Maria Palha, membro da Comunidade 4Change e fundadora da Associação Be Human (http://www.behuman.org.pt | insta: @kids_behuman). Tema da conversa: o “Projeto Kids | Um Kit de Saúde Emocional para Famílias”, do qual será publicado um livro e um documentário.

 

Como começou tudo?

Após a publicação de “Uma caixa de primeiros socorros das emoções”(2016) - um livro que é uma recolha de histórias do mundo inteiro e um guia sos das emoções - surgiu a ideia de criar um kit para pais e filhos, co-criado com a ajuda de “filhos” dos 4 cantos do mundo. Este kit inclui dicas, técnicas e atividades lúdicas inspiradas pelos diferentes países que visitámos ao longo do projeto e, de uma forma divertida, ajuda-nos a conhecer-nos melhor e a relacionarmo-nos mais positivamente com os outros e com o planeta.

Qual era a ideia principal do projeto?

A ideia era criar uma nova ferramenta, com vários especialistas. Neste caso os nossos especialistas, seriam crianças dos 5 aos 10 anos, de parte diferentes do mundo. As entrevistas tinham como objectivo conhecer as suas dicas/sugestões e recomendações para termos sociedades mais Humanas.

Quantos países conseguiram visitar e qual foi o principal resultado?

No total, entrevistamos mais de 350 crianças em 12 países diferentes e conseguimos chegar a uma série de actividades lúdicas, dicas e “coisas que odeiam que os adultos façam nos dias de hoje”. Começamos pelas crianças Portuguesas, passamos para os filhos de gangsters na Serra Leoa, crianças que crescem com Monges nos mosteiros Japoneses, Colombianas de comunidades indígenas e não só; As crianças Cariocas também fizeram parte, uns crescidos em favelas, outros no asfalto. Em São Tomé e Príncipe reunimos dicas sobre formatos de famílias ou como lidar com a zanga. Depois seguiu-se a Índia, o Nepal e o Butão, que deram óptimo input sobre a importância da espiritualidade. No Egipto entrevistamos filhos de Beduínos nómadas do deserto e a Jordânia foi a cereja no topo do bolo, ao nível do médio Oriente. Ambos reforçaram a importância da religião e mudança nos processos de bem estar.

O que vem a seguir?

Neste momento compilámos “os desgostos face a atitudes dos adultos e as suas dicas para um mundo melhor” num documentário (“Little HumanEyes”, com crowdfunding activo). Temos também uma página de Instagram, @kids_behuman, que ajuda a ter uma ideia do que iremos encontrar no documentário.

Mas há mais, certo?

Sim, o documentário é só uma dos produtos que resultam do projeto. Com as dicas das crianças, criámos vários jogos que ajudam a desenvolverem a humanidade de todos. De forma simples, divertida e lúdica são jogos para fazer acima de tudo em grupo (Jenga Emocionária já está em escolas, com famílias e instituições). E o livro “Kit de Saúde Emocional para Pais, feito pode filhos” (em fase embrionária para publicação) que compila as dicas dos especialistas, sugestões das famílias dos 4 cantos do mundo e ainda uma série de workshops/atividades lúdicas para fazer com crianças e graúdos. Neste livro encontram a mesma estrutura dos artigos publicados na revista visão: cada texto foca 1 competência emocional seguidas de algumas actividades lúdicas, passíveis de serem integradas na dinâmica familiar e que ajudam a desenvolver. No final de 2018 começamos também a dinamizar uma série de workshops, Bootcamps, sessões de team building (dinamizados pela BeHuman), uns para crianças, outros para famílias e empresas, sempre na óptica de humanizar o grupo.

Um desafio, para concluir: resume numa frase o potencial de impacto do projeto KIDS.

É uma metodologia contagiante, que de uma forma divertida leva os adultos e graúdos a envolverem-se e, consequentemente, a saber como apoiar as futuras gerações para serem emocionalmente mais competentes: a conhecerem-se melhor, com melhores relações entre todos e interações significativas com o planeta. Sociedades conscientes, crianças e planeta felizes!