Os 4 passos de uma teoria da mudança geradora de impacto

Os 4 passos de uma teoria da mudança geradora de impacto

Atividades, resultados, mudanças, impacto. O que vem primeiro e de que forma determina tudo o resto? Qual é a estratégia que está por trás das intervenções das organizações sociais?

Vamos por ordem. Proponho-vos um exercício. Imaginem poder parar, por um momento, todas as incumbências do dia-a-dia e ter tempo para fazer no que realmente interessa: sonhar. Sim, sonhar! Não estou a falar de uma viagem às Caraíbas ou de acertarem na combinação vencedora da lotaria. O tipo de sonho a que me refiro é outro, mais humilde, talvez, mas não menos desafiante. Peço-vos que imaginem que todos os vossos esforços para melhorar a vida das pessoas com as quais trabalham são finalmente premiados. Deixo-vos um instante para celebrar, pois devem estar a sentir uma grande satisfação. Agora, perguntem-se quais são as mudanças que têm de acontecer para que esse sucesso deixe de ser um sonho.

Este método de esquecimento induzido, que coloca as atividades imediatas em segundo plano, criando o espaço necessário para desafiarmos as nossas noções pré-concebidas em relação ao significado da palavra impacto, chama-se teoria da mudança. Ao contrário do que o nome indica, é um processo muito prático que nos permite explicar de que modo as mudanças na vida de uma ou várias populações se sucedem no tempo e se relacionam entre si, seguindo vários caminhos. Permite-nos ainda identificar que intervenções são necessárias para que esses caminhos sejam percorridos, bem como que provas ou indicadores são utilizados para medir a distância percorrida. Mas mais importante, mostra como uma visão ou propósito inspira uma mudança de longo prazo e como esta orienta um conjunto de caminhos compostos por mudanças intermédias.

 

Como funciona? A teoria da mudança organiza-se em quatro passos, que vamos analisar de seguida.

PASSO 1. Formular a visão e a mudança de longo prazo

Aqui importa distinguir entre ´visão´ e ´mudança de longo prazo´. A visão situa-se no longo prazo e traduz uma aspiração ou propósito, formulado de forma abrangente. Por exemplo, “Uma sociedade sem discriminação baseada no género”. Também situada no longo prazo - mas formulada de forma específica, mensurável, atingível e delimitada no tempo - encontra-se a mudança de longo prazo. Por exemplo, “Paridade de género em todos cargos de decisão na próxima década”.

PASSO 2. Construir o(s) caminho(s)

Uma vez estabelecida a visão e também a meta ou mudança de longo prazo, vão deduzir-se quais as pré-condições (mudanças) necessárias para alcançar essa meta. A este processo chama-se mapeamento cronologicamente invertido das mudanças. Deste modo, são fornecidas pistas cruciais para o desenvolvimento dos projetos e das organizações, mantendo o foco na visão e na mudança de longo prazo que se quer atingir - e não nas atividades já implementadas ou que se planeia implementar.

PASSO 3. Operacionalizar a Teoria

Depois de identificar as mudanças, é necessário identificar e associar os indicadores. Estes são extremamente importantes pois nos permitem provar que a mudança acontece e em que medida. É só nesta fase que se desenham as estratégias de intervenção que podem influir na sucessão de mudanças.

PASSO 4. Escrever a Narrativa

A narrativa é um resumo da teoria, que apresenta o mapa das mudanças, explica o seu racional e pressupostos e apresenta argumentos para determinada lógica de intervenção.

 

Como resulta claro deste percurso, a teoria da mudança é uma ferramenta de planeamento e avaliação, que permite: envolver as várias partes interessadas (stakeholders) no planeamento da mudança; deslocar o foco da intervenção desde o que já se faz para o que é necessário fazer; representar processos de mudança baseando-se no que realmente acontece e em evidências; integrar atividades e estratégias e, por fim, atribuir o impacto efetivo à intervenção realizada.

Embora seja normalmente acompanhada por outras metodologias, a teoria da mudança é o ponto de partida para a maioria de intervenções da 4Change. E há um ponto que não foi mencionado até agora: o desenvolvimento de uma teoria da mudança é um processo colaborativo e criativo que, acima de tudo, é divertido. Pois lembrem-se: “If it’s not fun, you’re not doing it right.”

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